Tambor de Crioula - 30/07/2011

Dança e emoção

Quilombolas de Santa Rosa dos Pretos animam público de São Jorge com o batuque do Tambor de Crioula

por Vanessa Martins

Foto: Anne Vilela

Mulheres dançãndo o Tambor de Crioula

O Tambor de Crioula é uma manifestação cultural quilombola que teve origem na África e chegou ao Brasil trazidas pelos escravos. “A gente dança pra se divertir, descansar. Quando a gente fica muito cansada do trabalho durante o dia, dança um Tambor de Crioula a noite que dá outra energia pra gente”, conta Maria Dalva Belfor, uma das cantoras do grupo Tambor de Crioula da Comunidade Quilombola Santa Rosa dos Pretos, do Maranhão.

Para muitos do grupo, a dança é uma forma de reafirmar sua identidade e manter a tradições. “É muito emocionante, a sensação de dançar o Tambor de Crioula é única”, conta Anacleta Pires da Silva, que participa da festa desde criança. Hoje, ela puxa a roda e canta as músicas com letras improvisadas ao som dos tambores.

“Vim fazer tambor gemer,
Vim fazer tambor gemer,
Hoje aqui nessa Chapada,
Vim fazer tambor gemer”

A preparação para a festa inclui o aquecimento dos tambores no fogo, para que o couro quente dê um som diferenciado. “Nós sempre fizemos assim. Até descobrimos que essa tradição surgiu porque os senhores de engenho aqueciam os tambores para fazer as mãos dos escravos doerem na hora de tocar. Acontece que, realmente, o som fica mais forte com o couro quente e, mesmo sabendo disso, é importante pra nós esquentar o tambor no fogo, já faz parte da nossa tradição”, explica Anacleta.

A caracterização das mulheres é especial, com roupas típicas das africanas e muito similares às baianas, com saias coloridas e rodadas. As blusas são brancas com babados no decote e, para complementar, uma faixa na cabeça, do mesmo tecido da saia. Em São Jorge, quando as mulheres rodavam as saias rapidamente, se via um grande borrão colorido se formando em volta delas.

Antes de se apresentar, o grupo todo se junta em uma roda para fazer uma oração, pedindo bênçãos e proteção para a dança. Quando formaram a roda no chão, mais próximo do público os três tambores já pulsavam no ritmo característico da dança, dando apoio para os seis cantores fazerem suas rimas e improvisos.

A dança começava com a primeira da fila, que ia para o centro e rodava sua saia colorida, animada com o ritmo do batuque. Para passar a vez para outra pessoa ela fazia um passo especial, chamado de punga, ou pungada, que consiste em uma espécie de umbigada. Depois desse passo, a primeira dançarina tomava o lugar da segunda na roda, que por sua vez, dava o seu show no centro.

 Rômulo Frazão, de 26 anos, veio do Rio de Janeiro para assistir ao Encontro e se encantou com o Tambor de Crioul: “Eles transmitem uma energia muito boa, com muita verdade nas letras e nos movimentos”, comentou.

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