Diversidade Cultural - 30/07/2011

Pela valorização do direito de seguir a tradição

Roda de prosa discute os caminhos da diversidade cultural no Brasil e no mundo e, representando o MinC, Giselle Dupin elege educação e comunicação como fatores de destaque

por Giovanna Beltrão

Foto: Anne Vilela

Giselle Dupin na roda de prosa Diversidade Cultural no Brasil

Tendo como base a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, a roda de prosa Diversidade Cultural no Brasil, realizada no Espaço Seu Domingos, colocou em debate discussões voltadas à dimensão simbólica da cultura e à preservação das diferenças que caracterizam cada manifestação cultural. A roda foi conduzida pela Assessora Internacional da Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Giselle Dupin.

Estudantes, músicos e o público do Encontro de Culturas estiveram presentes na roda de prosa, na tarde do dia 29 de julho. Além da Coordenadora das Rodas de Prosa, Marise Barbosa, participaram da conversa os Coordenadores Gerais do Encontro de Culturas Juliano Basso e Pedro de Castro Guimarães. Os beninenses Marcel Zounon e Patrice Ahossou, do Grupo Towara Benin fizeram uma participação na roda, acompanhados da intérprete Alice Serié. A kalunga Dona Dainda, o mímico e apresentador do Encontro Miquéias Paz e a coplera argentina Mariana Carrizo também integraram o grupo. Por fim, o professor Roberto Cavalcanti, do curso de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) foi outro a dar o seu parecer.

Em entrevista à Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge (ANCJ), Giselle Dupin fez um apanhado dos assuntos expostos e debatidos durante a conversa:

ANCJ – O tema da roda foi ‘diversidade cultural’. Pra você, o que define esse termo, se é que existe uma definição?

Giselle Dupin – É difícil definir diversidade. Diversidade é um conjunto de tudo o que nos constitui culturalmente. O mundo é feito de pessoas que têm maneiras de ver o mundo de maneiras diferentes. São maneiras diferentes de se comportar, de estar no mundo; são cosmogonias diferentes, e isso faz a riqueza do nosso planeta. Por questões econômicas e das assimetrias que temos no mundo, as trocas culturais estão desequilibradas. Daí a importância da gente valorizar as culturas e essas diferenças. Isso não é uma constatação, é uma coisa a ser construída.

ANCJ – O que tem sido feito no sentido de preservar e valorizar a diversidade cultural?

Giselle Dupin – Em termos mundiais foi negociada uma convenção, que é um acordo internacional com valor de lei, que reconhece o direito dos países de ter políticas culturais, cada um com a sua, para preservar a sua própria cultura. Ela veio também para contrapor acordos comerciais que estão com tendência a tratar os bens e serviços culturais como mercadoria. Outro ponto é reforçar o desequilíbrio econômico e cultural e tentar fazer com que a maioria dos povos acredite que existe uma língua mundial.

ANCJ – É aí que entra a importância das Convenções?

Giselle Dupin – É aí que entram as Convenções, que são acordos que criam direitos e obrigações para os países. Então, são acordos que passam pelos congressos nacionais e cada país que entra numa convenção como essa tem direitos e obrigações. O Brasil é um desses países. No caso da Convenção da Diversidade Cultural, atualmente existem 117 países. A lista está crescendo pouco a pouco. Eles se dão esse dever de proteger e de promover a sua diversidade cultural por meio de políticas culturais, da colaboração e do trabalho conjunto com a sociedade civil.

ANCJ – Foi falado muito a respeito da educação e da comunicação, sobre como esses fatores influenciariam na preservação da diversidade cultural. Como você vê esses dois aspectos?

Giselle Dupin – Eu ressaltei esses dois aspectos porque eles são desafios que ainda não estão dados, ainda temos que avançar mais. As políticas culturais brasileiras estão bastante avançadas, o Brasil é um dos países com políticas culturais mais elaboradas. Tem outros países importantes também, como a Colômbia. Mas, no Brasil, elas são bem avançadas, inclusive nessa questão da diversidade cultural. No entanto, nós temos desafios grandes e, dentre eles, eu estou ressaltando esses dois: avançar na educação, para que a cultura de cada comunidade seja trabalhada e refletida dentro das escolas, não só a cultura de massa; e o desafio da nossa disparidade e desequilíbrio nos meios de comunicação, pois a nossa diversidade cultural brasileira não está aparecendo nos grandes veículos de comunicação.

ANCJ – Você também falou de um paralelo entre diversidade cultural, biodiversidade e sustentabilidade. Como você analisa isso?

Giselle Dupin – A discussão sobre diversidade cultural é um dos frutos de outra discussão, que houve na década de noventa, sobre a importância da biodiversidade para o planeta. Então, claro que a biodiversidade é importante, mas a diversidade do ser humano é igualmente constitutiva dessa biodiversidade planetária. A nossa diversidade cultural está ligada à diversidade dos alimentos, do preparo, do cultivo, da troca de sementes, tudo isso está muito ligado, isso também é cultural. Na preservação do meio ambiente também entram traços culturais, porque o consumismo é um traço cultural, a cultura do descartável também. Então, tudo isso está afetando o nosso meio ambiente. As pessoas estão começando a perceber que os debates têm que se dar juntos, são coisas que andam conectas e a cultura também é um vetor importantíssimo de preservação do planeta, logo as práticas cultuais têm que entrar na discussão da diversidade biológica.

ANCJ – Como você a avalia a roda de prosa?

Giselle Dupin – Achei ótima, foi uma troca boa. A minha intenção era trazer informações sobre essas questões em nível internacional e governamental, mas também suscitar a reflexão e o debate e foi isso o que aconteceu. As pessoas participaram e se mostraram muito interessadas, estou muito satisfeita.  

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