Terno de Congo de Catalão (GO)

As congadas de Catalão são responsáveis por boa parte da identidade cultural da cidade. Saindo às ruas na Festa de Louvor a Nossa Senhora do Rosário, os ternos de congo representam os festejos dos negros na época da escravidão, quando os escravos não podiam entrar nas igrejas e faziam suas saudações a Nossa Senhora do lado de fora, entoando os sons dos tambores e pandeiros africanos. Ao longo dos anos, as festas foram ganhando simpatizantes até que a igreja reconheceu as congadas como parte dos ritos religiosos, que hoje incluem a participação dos brancos.

A congada é uma festa secular, que vem desde a época de 1820. Os negros saíam dos seus trabalhos nas fazendas para fazer os seus festejos a Nossa Senhora do Rosário. Vinham trazendo seus mantimentos para vender às pessoas que moravam na comunidade para garantir o seu retorno, o seu alimento e o seu dia a dia.

Catalão

Em Catalão, a Festa de Louvor a Nossa Senhora do Rosário ocorre sempre na primeira semana do mês de outubro. Os 21 ternos de congo da cidade se preparam durante três meses, ensaiando para o grande cortejo do último dia de comemoração, um domingo. No sábado, ocorre o levantamento do mastro e da bandeira de Nossa Senhora. Nesta cerimônia, os congadeiros não vão vestindo seus uniformes. No domingo, todos os ternos saem uniformizados fazendo uma procissão de três quilômetros, da igreja até o lugar montado para a apresentação dos congos, uma arquibancada com lugar para 10 mil pessoas, batizado pelos habitantes da cidade de "congódromo". Na segunda seguinte, a coroa é passada para o festeiro do próximo ano.

Ternos

Quase metade dos moradores de Catalão participam da festa de Nossa Senhora do Rosário, seja como cristão ou como público, somando-se aos turistas que a região atrai na época dos festejos. A cidade apresenta hoje 21 ternos de congada divididos em 12 congos, dois moçambiques, um penacho, dois vilões e quatro catupés.

Os congos têm uma batida menos acelerada. São formadas duas fileiras, uma de frente para a outra. Uma fileira canta o verso e a outra repete. Isso exige muita sagacidade do capitão, que cria os versos na hora da apresentação. Os instrumentos do terno de congo são a caixa e a sanfona. Os ternos de catupé, que se diz que "catuca o pé com a cacunda", representam a alegria, a astúcia dos negros que fugiam das senzalas; seus instrumentos são as caixas feitas com couro de vaca e os dançadores acompanham o capitão com os pandeiros.

Os ternos de Moçambique apresentam uma batida mais lenta. São estes quem conduzem a imagem de Nossa Senhora do Rosário durante a procissão do domingo e são eles quem fazem as andanças com o povo em um ritual forte e significativo. Os instrumentos do Moçambique são as caixas, os chocalhos e as patangongas, que são as correias de couro com pequenos chocalhos presos. Quando o congadeiro bate os pés no chão, o som das patangongas encorpam o ritmo e deixam transparecer a força da cerimônia.

Os penachos e vilões, com suas batidas aceleradas representam as lutas dos índios e negros, respectivamente, na época da escravidão. Além das caixas e das sanfonas, esses dois ternos apresentam particularidades interessantes: os penachos com a temática indígena e os vilões com as varas com enfeites nas pontas e a dança do facão, que simbolizam a luta dos escravos. O apito do capitão dá o ritmo das batidas ensaiadas de uma vara na outra e é ele quem puxa o couro de vozes que canta em homenagem a Nossa Senhora.

Terno Vilão de Catalão - IX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros from Encontro de Culturas on Vimeo.

Terno de Congo de Catalão no IX Encontro de Culturas
Apresentação do Terno de Congo Vilão do município goiano de Catalão no IX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.


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