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25/07/2007 17:13
Laboratório de Memória Oral
Três dias de prosa cultural

por Jeyce Sousa , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

O Espaço Petrobras, montado na entrada da Vila de São Jorge recebeu, de 20 a 22 de julho, dentro da programação de Rodas de Prosa do VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, o Laboratório de Memória Oral, medido pelo violeiro e pesquisador Roberto Corrêa.

O público das rodas de prosa, que tiveram como tema a transmissão oral da cultura popular, era formado em sua maioria de jovens, que buscavam a oportunidade de conhecer mais sobre esse modo de transmissão de cultura.

Camila Pinheiro

Roberto Corrêa (E) e Seu Zé Nilo (D): ciclo de rodas de prosa para discutir a memória oral dos povos brasileiros

Convidados como a dupla de violeiros Zé Mulato e Cassiano enriqueciam as rodas, ao compartilhar experiências e contar seus "causos" para os participantes. Quem passava pelo estande, após alguns segundos "espiando" a prosa, acabava se juntando ao grupo, que se multiplicava aos poucos.

O uso da voz na cultura popular

A primeira roda de prosa da série Laboratório de Memória Oral teve como tema central o uso da voz na cultura popular. Roberto Corrêa mostrou vários exemplos de postagem e imposição da voz, como as da Folia de Minas Gerais, que possui uma sexta voz em seu coro. É um tipo de entonação muito almejada, por ser uma voz de peito, aguda e segura.

Seu Zé Nilo, da Folia de Colinas do Sul (GO), colaborou com a prosa explicando as várias peculiaridades das vozes que compõem A Festa da Caçada da Rainha, e contou causos e histórias sobre as folias.

Roberto Corrêa falou um pouco sobre as mudanças trazidas pelas novas tecnologias, possibilitando que sons rústicos como as folias possam ser digitalizadas para comercialização. "Tiveram que reduzir cantigas de quinze para três minutos, principalmente por causa do sistema publicitário", conta Roberto. Além deste tipo de problema, os foliões tiveram que se adaptar a coisas que antes não faziam parte de sua cultura, como a microfonia, para permanecerem no mercado.

Para Roberto, a música tradicional eleva a pessoa a um nível de concentração que a deixa na esfera da divindade. "Quando a pessoa percebe, foi pega pela música", afirma. Seu Zé Nilo conta que os foliões eram receosos de pensar como a religiosidade caberia no mundo artístico.

Entre muitas manifestações culturais tradicionais que passaram por processos de gravação digital, Roberto citou romarias, cantos para defuntos (incelença), ladainhas, canto de fiandeiras, fandangos, repentistas, maracatu, declamações e mostrou várias gravações de cultura popular que ele fez em vários cantos do país.

Para finalizar, Roberto Corrêa propôs um desafio aos participantes com uma música trava-língua, arrancando gargalhadas de todos que estavam na Roda. 

A Viola Caipira, no domingo

O segundo dia da série foi dedicado à viola caipira. A roda foi bastante animada com a presença de seu Zé Nilo e da dupla Zé Mulato e Cassiano (MG), dos Foliões do Divino de Crixás (GO), dos Embaixadores da Lua (MG), das Caixeiras do Divino (MA) e da Sussa dos Kalunga (GO).

Roberto mostrou para os Foliões do Divino de Crixás uma gravação que ele fez no VI Encontro de Culturas, em 2006, na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, que eles nunca tinham ouvido. O grupo ficou muito satisfeito com a surpresa. Eles apontaram alguns defeitos ouvidos na gravação, pois algumas crianças que faziam parte do grupo ainda não estavam com a voz bem entoada.

"É maravilhoso, os defeitos são imperceptíveis, o ótimo é inimigo do bom e o importante é que existe o registro do que vocês fizeram" elogiou Roberto. Ele ressaltou a importância desses registros pelo fato de as grandes tradições às vezes se perderem por que seus membros vão morrendo. "A tradição não pode ser enterrada com as pessoas" alerta.

Roberto contou a história da viola, de sua chegada ao Brasil às diferentes técnicas e tipos, como a viola de coxo. Foram discutidas quais são as melhores cordas, os melhores preços e marcas, com a presença de entendedores e interessados no assunto.

Zé Mulato arrancou gargalhadas dos participantes da roda ao falar sobre os gravadores. "O gravador antigamente era chamado de desmancha-conjunto, porque depois que os músicos ouviam a gravação, achavam tão ruim que era melhor parar. Mas não foi nosso caso, não!", defende-se.

Cultura popular no Brasil Central

Na roda da segunda-feira, 22 de julho, a prosa foi mais profunda. Roberto abriu com uma cantoria do município de Formoso, usada enquanto se faz a farinha.

"As pessoas, hoje, estão muito ocupadas para a cultura. Não entendem que ouvir um CD não chega nem perto de ver a coisa ao vivo", explica Roberto Correa, falando sobre alguns problemas enfrentados pela cultura popular brasileira. Para ele, as culturas deixaram de ser vivenciadas, tornando-se meramente representações.

Balanço final

Para coordenadora das Rodas de Prosa do VII Encontro de Culturas, Thaís Teixeira, o resultado das rodas superou suas expectativas. "Pude ver a satisfação das pessoas, o interesse foi muito grande", declara.

Roberto Corrêa diz ter ficado muito surpreso com o resultado. "Foi maravilhoso, planejei algo que tomou proporções inesperadas, esse amor à cultura me deixou realmente muito feliz. Quero voltar mais vezes, foi muito proveito a todos que aqui estavam" finaliza ele.

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