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21/07/2007 22:46
Koiré
O canto sagrado da união

por Daniella Borges , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Ao som do Maracá (chocalho) e do Kukonlé (apito), os índios Krahô apresentaram o canto do Koiré (machadinho sagrado) na abertura do VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, na Vila de São Jorge. Neste ano o evento dá destaque especial para as culturas indígenas do Brasil com a criação da Aldeia Multi-Étnica

"O Koiré tem uma história sagrada do princípio da vida que não foi registrada, não teve escritura. É o coração de todos os mundos. Cada etnia vai mostrar aqui suas tradições, sua cultura e suas pinturas.", afirma o Krahô Getúlio Kruakrai, mestre de cerimônias, 64 anos, que recebeu aplausos de emoção da platéia por sua fala antes de começar a apresentação.

Kruakrai explica que a história do Koiré passa a mensagem de união. "Nós somos um só corpo. Vamos abrir o coração para todo mundo e nos unir uns aos outros. Cada cultura tem a sua tradição como temos pajés, professores de canto e de história. Necessitamos de união e de parceiros de trabalho. Nossas tradições não podem se perder, senão perderemos também o respeito e o valor", afirma Kruakrai.

Domingos Krahô é o cantor (Incrér) e tocador do Maracá, principal instrumento feito do fruto da árvore chamada cuité. No palco, ele puxou a cantoria que conduziu as vozes do coro formado por crianças, homens e mulheres. "O maracá é usado no pé dos mundos. As sementes fazem o som e seu ritmo é uma respiração", explica o Krahô.

Marcelo Scaranari

Os Krahô, junto com o público, na dança do Koiré 

Com os corpos pintados de jenipapo e urucum, os Karhô desceram do palco para cantar e dançar em círculo com o público presente, como em um ritual de sua tribo. "Quando começa a cantar, todo mundo pula. A dança é o giro do mundo, é como um coração que pulsa", afirma Kuhek Krahó.

Para a jornalista Diana Svintiskas, que participa do evento pela segunda vez, a apresentação dos Krahô sempre tem muita participação do público. "É um momento em que as pessoas interagem de verdade e tem contato com a cultura indígena. É emocionante poder dançar junto com eles numa grande roda e estar mais próxima dessa cultura que corre o risco de ser extinta se não for respeitada", afirma Svintiskas.

Marcelo Scaranari

A réplica da machadinha sagrada dos Krahô

O machado original feito de pedra é único e fica guardado na Aldeia Pedra Branca. Esse objeto sagrado é usado apenas em rituais específicos que reúnem todas as aldeias Krahô. "O machado é de muito tempo, não sei há quantos milhares de dias que ele foi feito. Tem que ter sabedoria do que significa para poder mostrar para quem não conhece", afirma Kruakrai. Para os rituais de menor abrangência, os Krahô utilizam uma réplica do machado feito de madeira.

As terras

O povo Krahô habita uma área de cerca de 302 mil hectares no nordeste de Tocantins, entre os municípios de Goiatins e Itacajá, onde o cerrado predomina com largas florestas e cursos de água. Os Krahô se autodenominam Mehim, falam a língua timbira, parte da família Jê, inserida no tronco Macro-Jê. Com uma população de aproximadamente 2 mil integrantes, agrupados em 20 aldeias, os Krahô vivem essencialmente da roça, da caça e da pesca.

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