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03/06/2007 10:23
Jongo
Jongo do Quilombo São José é atração do VII Encontro de Culturas

por Alessandra Alves, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

O Jongo do Quilombo São José, comunidade localizada na Serra da Beleza, município de Valença (RJ) é uma das atrações confirmadas para o VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

Considerado um dos pais do samba e reconhecido pelo governo federal como patrimônio do Brasil, o Jongo é uma dança de origem afro-brasileira, nascida nas terras onde se cultivava o café, e por onde passaram os escravos vindos da África.

Divulgação

Praticado desde a época da escravidão pelos moradores do quilombo como processo cultural lúdico, o jongo hoje traz visibilidade pública à comunidade de São José, tornando-se um significativo instrumento no processo de luta pela terra, enfrentado pelo quilombo.

Por esse motivo, São José vive uma época de divulgação de seus tradições. Essa realidade, além de atender a razões meramente utilitárias, contribui também para a elevação da auto-estima de seus moradores, valorizando a cultura negra antes marginalizada e vítima de preconceitos na própria região.

Quilombo de São José
Visitar o Quilombo São José é uma viagem ao passado. Na propriedade, pouca coisa mudou desde a abolição da escravatura.  O trabalho em conjunto na agricultura de subsistência, a crença religiosa da umbanda e do catolicismo, a sabedoria das ervas medicinais, o artesanato tradicional, as benzeduras, o Calango, o Terço de São Gonçalo e o Jongo fazem parte do cotidiano dos moradores do quilombo desde a chegada dos seus antepassados naquela fazenda por volta de 1850.

Todos os seus moradores são parentes, e até um ano atrás a comunidade não tinha luz elétrica. o ferro à brasa, o candeeiro e o fogão à lenha fazem parte do dia-a-dia. O grupo de aproximadamente 200 negros é a sétima geração desde os primeiros escravos comprados para trabalhar nas lavouras de café da Fazenda São José.

Divulgação

Com a abolição, os ex-escravos construíram suas casas de adobe (tijolo de barro) cobertas de sapê no alto da serra, à beira de um córrego. As gerações seguintes reforçaram os laços sanguíneos e de solidariedade, viveram a crise do café e viram sua substituição pelo milho e depois pelo gado. E ainda assim conseguiram permanecer, por mais de um século e meio, na mesma terra herdada por seus ancestrais.

Legalização das Terras
Ainda hoje as famílias do Quilombo lutam pela legalização da doação verbal de suas terras, feita pelo primeiro proprietário da fazenda São José. Desde que o pedaço de terra em que eles vivem foi doado, várias gerações de herdeiros adiaram a promessa de legalização da posse. Há cerca de doze anos a fazenda foi vendida para uma outra família, o que quebrou as negociações já encaminhadas com os herdeiros do antigo dono.

No dia 05 de abril de 1999 o Governo Federal reconheceu oficialmente a comunidade como "remanescente de quilombo" abrindo caminho para a titulação de suas terras, porém o processo de desapropriação ou compra da fazenda ainda mostra-se muito demorado.

Em junho de 2000 seus moradores fundaram a Associação da Comunidade Negra Remanescente de Quilombo São José da Serra, que tem como objetivo intensificar a luta pela desapropriação de suas terras, o registro e divulgação dos seus patrimônios culturais e a implementação de projetos sociais de agricultura e de turismo (étnico e ecológico) e projetos culturais e de educação popular visando a mudança da qualidade de vida local.

Atualmente a restrição das terras para plantio imposta pelo fazendeiro e a lentidão das autoridades federais na desapropriação do Quilombo fazem com que seus moradores enfrentem graves dificuldades para sobreviver. Mesmo assim, graças a sua forte identidade cultural, sua religiosidade e união familiar eles conseguem se manter como uma das comunidades mais bonitas do Brasil.

CD - livro Jongo do Quilombo São José
Em outubro de 2004, foi gravado o CD Jongo do Quilombo São José,gravado dentro do próprio quilombo. O álbum vem acompanhado por um livro com fotos do fotógrafo Bruno Veiga e textos do músico e pesquisador Marcos André, do morador e líder do quilombo Toninho Canecão e da historiadora Hebe Mattos. Esta última é a responsável pela montagem da árvore genealógica da família de 200 negros descobrindo sete gerações do grupo até 1850, quando o ancestral africano, trazido de Angola como escravo, chegou ao país.

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