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18/07/2007 20:32
Ganhadeiras de Itapuã
Olha o peixe!

por Arthur Porto, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Tec, tec, tec... O barulho dos passos acelerados da vendedora ambulante, no bairro de Itapuã, em Salvador (BA), se traduz na vontade de ganhar clientes e dinheiro. Para garantir o sustento familiar é necessário o uso da voz, valioso instrumento de trabalho. Olha o peixe! Olha o peixe! E algumas pessoas se reúnem para conferir a mercadoria.

Esse cenário já se tornou comum nas ruas da capital baiana. Vários vendedores contam com a ajuda do apito, da viola, do sino e da música para chamar atenção da freguesia. Toda essa forma de comercialização é um retrato de padrões culturais da população negra. Para manter viva essa memória surgiu, em março de 2004, o grupo Ganhadeiras de Itapuã, que se encontrava semanalmente nos terreiros de Dona Cabocla e Dona Mariinha para desenvolver um repertório baseado em cantigas e sambas.

Atualmete os integrantes do grupo se encontram na sede da ONG Crianças Raízes de Abaeté ou na casa de Dona Mariinha. "Elas se divertem muito. Lá tem performances de maculelê e capoeira. E lá o grupo encontra inspirações para elaborar todo o repertório", conta Rita Honotório, produtora cultural.

Se antes as ganhadeiras lutavam para sustentar a família, hoje elas cantam e dançam em prol do desenvolvimento cultural do bairro de Itapuã. "A partir de experiências com o Grupo de Revitalização de Itapuã (Grita), resolvemos criar as Ganhadeiras porque acreditamos que é possível estimular a preservação, o resgate cultural e fazer coisas belas a partir da história do lugar onde se mora", afirma Amadeu Alvez, músico e idealizador do grupo.

A apresentação, que mistura música e teatro, tem como propósito revelar as tradições de Itapuã através da contemporaneidade. "Tudo se baseia no modo de vida que as Ganhadeiras levaram. O passado dessas moças dá um sabor diferente ao espetáculo", explica Salviano Filho, produtor do grupo.

As Ganhadeiras de Itapuã trazem para a sétima edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros a identidade poética do antigo povoado de pescadores junto com momentos de intensa alegria.

Itapuã

Cultura, música, teatro e festa. Uma infinidade de opções artísticas que preenchem as ruas. Assim é o bairro de Itapuã, na capital da Bahia. Com vida própria, ganhou fama e se tornou um dos locais mais conhecidos de Salvador. Seus moradores afirmam que, mesmo após sofrer tantas transformações, vale e sempre vai valer seguir o conselho de Toquinho e Vinícius de Moraes que sugere "colocar um velho calção de banho" e "passar uma tarde ao sol que arde em Itapuã".

Ontem

O termo ganhadeiras surgiu no final de século XIX. Negras, escravas ou libertas, as mulheres compravam peixes, limpavam e depois vendiam, no centro de Salvador, para garantir o sustento da família. Outros produtos também eram comercializados, como goiaba, caruru e vatapá. Esse trabalho se transformou em um fator de integração para a população negra local e com tempo começou a gerar conflitos com a elite e a polícia da cidade. Várias leis foram criadas para dificultar a vida das africanas libertas, que na maioria das vezes eram obrigadas a voltar para a escravidão.

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