Apresentação do Encontro Veja a programação do Encontro Conheça os artistas Confira as Rodas de Prosa Feira de Oportunidades Sustentáveis Oficinas ministradas durante o Encontro Mostra de Cinema Petrobras Diário de São Jorge Material para imprensa Ficha Técnica do Encontro Entre em contato
 

11/07/2007 22:02
Festa da Caçada da Rainha
Tradição e fé em Colinas do Sul

por Daniella Borges, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

O Divino Espírito Santo e a Nossa Senhora do Rosário são cultuados em diversas regiões do Brasil. Em Colinas do Sul, município de Goiás, essas divindades são celebradas em uma mesma festa que ocorre anualmente na primeira quinzena do mês de julho: a Caçada da Rainha. Em 2007, essa manifestação cultural popular participará pela sétima vez do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

Uma das versões contada pelo grupo sobre a origem da festa da Caçada da Rainha está relacionada à princesa Isabel e à assinatura da Lei Áurea, na ausência do seu pai, D. Pedro II. Com medo da reação do rei, a princesa reuniu sua comitiva e se escondeu no mato. Ao chegar de Portugal, D.Pedro II aprovou a atitude da filha, preparou sua comitiva e foi procurá-la. A notícia se espalhou pela província e os negros libertos da escravidão prepararam uma festa de agradecimento para recepcionar a princesa com o Batuque da Rainha.

Segundo José Nilo Almeida, puxador do Batuque da Rainha, a festa é a representação dessa homenagem unida às folias do Divino Espírito Santo e da Nossa Senhora do Rosário.

Marcelo Scaranari

O folião Reisevestre Coelho da Silva, 36 anos, diz que não há dados precisos de quando começou a Caçada da Rainha. "A história vem de outras datas. Quem me falou foi meu pai, o pai dele falou pra ele, que ouviu falar. O meu avô participou direto do início da festa. Disseram que vem da escravidão. Foi mudando de região, chegou aqui e parou", explica Coelho.

A Folia é o Convite da Festa

Durante a celebração, dois grupos com aproximadamente 30 pessoas cada, realizam as folias em devoção aos santos padroeiros. Num período de 8 a 15 dias, os grupos percorrem a cavalo os povoados e fazendas da região, levando as bandeiras sagradas - vermelha do Divino Espírito Santo e branca da Nossa Senhora do Rosário. Os foliões são recebidos pelos devotos com gestos de oferendas e festas.

"Tem 54 anos que eu giro folia como guia. A primeira vez, eu girei como caixeiro, batedor de caixa, depois passei a guiar a folia", conta João Teodoro.  Segundo ele, toda pessoa que gira folia tem fé. "Aquele que anda de má fé não é folião. Agora o folião, todo tem boa fé", afirma Teodoro.

Um grupo faz a folia do Giro de Cima e o outro a Folia do Giro de Baixo com a função de convidar as pessoas da zona rural para a festa na cidade e arrecadar as esmolas - doações em dinheiro e donativos. As folias fortalecem os laços dos devotos com as divindades cultuadas, assim como a sociabilização da comunidade. "A folia é o convite da festa. Sempre na nossa história, os foliões, por onde passam, fazem o convite ao pessoal para o dia do Arremate", explica o folião Luis da Silva Coelho, 74 anos.

A chegada dos foliões nas casas visitadas ou onde se dará o Pouso da Folia é anunciada pelo som da caixa, instrumento que junto com os violões, violas e pandeiros, produz a música característica da folia. Durante as visitas, os foliões cantam e entoam rezas e ladainhas. Tocam e dançam a Moda de Viola, a Catira, o Recorte, a Curraleira, a Minuana e a Carolina. Os pousos são locais onde os foliões dormem durante o giro. Amarram redes em baixo das árvores para repousarem, tocam violas e se aquecem com o fogo mantido aceso a noite toda.

Marcelo Scaranari

Cada folião tem uma função. Os alferes levam as bandeiras, com as imagens do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário, à frente. O guia, quase sempre representado pelos mais experientes, é encarregado de comandar e puxar os cantos. O contra-guia responde os versos da cantoria. O caixeiro bate a caixa. O bagageiro é responsável por carregar e cuidar das bagagens dos foliões. O arrieiro auxilia o folião-bagageiro. O campeiro cuida dos cavalos. O fiscal vigia o cumprimento das regras do regulamento que os foliões estão submetidos.

Após as peregrinações, as folias do Giro de Baixo e do Giro de Cima reúnem-se em Colinas do Sul, em frente à Igreja Católica, onde acontecem os ritos do Arremate, com a Entrega da Folia. Bandeiras, símbolos emblemáticos como o cruzeiro, o arco, o altar e a fogueira, compõem o cenário.

A Caçada e o Batuque da Rainha

No segundo domingo do mês, um dia depois da entrega das folias, tem o Reinado do Imperador. Neste momento é rezado um terço e, em seguida, é realizado o sorteio do encarregado da Folia do Giro de Baixo e do Giro de Cima do próximo ano, em celebração ao Divino Espírito Santo.

O auge da festa é logo após o Reinado do Imperador, quando começa o ritual da caçada da rainha. "A cidade inteira participa da festa", afirma José Nilo Almeida. Ritmos populares como o batuque e o lundu - um dos mais antigos da cultura brasileira com raízes na cultura africana -, fazem parte do festejo.

Montados a cavalo, a Rainha e o Rei, acompanhados dos Alferes, do Príncipe e da Princesa, são levados pelos Caretas (personagens da festa que tem a função de divertir as pessoas) para se esconderem na vegetação do cerrado.  

O principal momento é o Batuque da Rainha, quando os batuqueiros são avisados de que o rei e a rainha foram encontrados. Ao som da onça - principal instrumento do batuque - caixa, violas, pandeiros e cantos, as mulheres dançam equilibrando garrafas na cabeça. A alegria contagia os participantes que podem saborear licores de jenipapo, abacaxi, e outros frutos da região.  

Na segunda-feira, a comunidade reza o terço da Rainha e faz o sorteio do encarregado da Folia do Giro de Baixo e do Giro de Cima do ano seguinte, em devoção à Nossa Senhora do Rosário.

A Caçada da Rainha acontece também em outros municípios do Estado de Goiás como Flores de Goiás, São João da Aliança (povoado do Forte) e Cavalcante (povoado de Capela), cada um com sua especificidade. 

Os versos cantados no Batuque da Rainha retratam elementos do período do ciclo do ouro e do cerrado goiano

"Lá vem o rei mais a rainha,
o rei é seu a rainha é minha;

A rainha é de ouro, de ouro só
O rei é de couro, é de couro só;

Canoeiro, canoeiro o que é que trouxe na canoa?
Trouxe ouro, trouxe prata, trouxe muita coisa boa;

Capim da lagoa já cresceu,
amarelou o veado comeu;

Pau-pereira, pau-pereira é um pau de opinião
Todo pau floresce e cai, só o pau-pereira não"

enviar por e-mail | imprimir
topo da página | mais notícias

26/05/2009 - IX Encontro de Culturas
Vem aí o IX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros

02/08/2008 - Encontro
Zambiapunga e Turma que Faz celebram o fim do VIII Encontro de Culturas Tradicionais

02/08/2008 - Arcoverde na Chapada
"É só tocar um pouco de Fogo que a explosão ocorre”

01/08/2008 - Entrevista
“Incelente Maravilha”

01/08/2008 - Show
Música caipira faz as honras da casa



Orquestra Sanfônica de Mossoró


Programe agora sua viagem para São Jorge. Encontre as pousadas, campings e restaurantes da Vila.