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11/07/2007 12:53
Congo de N. Sra. do Rosário
Mulheres no congo

por Alessandra Alves, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

"Eram só homens. A gente não podia dançar com eles, não aceitavam que as mulheres dançassem", resume D. Maria do Nascimento, Capitã do Congo N. Senhora do Rosário, de Belo Horizonte (MG), formado basicamente por mulheres. Tradição nascida como elemento de devoção de negros escravos trazidos ao Brasil, o congo por várias gerações caracterizou-se como uma manifestação exclusivamente masculina.

Vários elementos contribuíram para que, hoje, algumas guardas de congo fossem abertas à participação feminina, chegando inclusive a serem comandadas por mulheres. No caso do Congo Nossa Senhora do Rosário, a iniciativa veio de uma tentativa de reviver a tradição mantida por seus pais e avós, mas que com o tempo e a morte dos antigos mestres, foi se enfraquecendo.

Alguns fatores também podem ser apontados como agentes dessa dificuldade em se manter a tradição: o preconceito racial em relação ao negro e às suas manifestações, a rejeição da Igreja que não aceitava o sincretismo característico da festa, a disseminação das igrejas evangélicas que condenam manifestações populares - principalmente as de origem africana - e massificação cultural impulsionada pelos meios de comunicação.

A Capitã

Consagrada como capitã de congada aos três anos de idade por seu avô, que na época era capitão, D. Maria do Nascimento não teve dúvidas. Enfrentando todas as adversidades, decidiu formar uma guarda de congo só com mulheres. "Eu estou com 57 anos. Nasci e me criei dançando congado. Foi o maior presente que meus pais me deram e que a santa me concedeu. É a minha riqueza", afirma.

No início eram 35 mulheres, comandadas por D. Maria, a capitã. Ela conta que, com o tempo, várias integrantes se casaram, tiveram filhos e como uma conseqüência dessa realidade, o congo feminino incorporou alguns homens - maridos das congueiras - em sua bateria. Instrumentos como sanfona, caixa, folha e pantangome dão ritmo e vida às cantorias entoadas pelo congo.

Atualmente com 60 componentes, entre dançantes, reis, rainhas e princesas, o Congo Nossa Senhora do Rosário já se apresentou, segundo a capitã, em quase todas as cidades mineiras. "O congado é nosso ouro, nossa cultura mais forte aqui em Minas", orgulha-se.

Aceitação

Segundo D. Maria, seu congo de mulheres nunca sofreu qualquer tipo de preconceito por parte dos congos masculinos da região. "Nossa guarda é uma das mais privilegiadas. Os homens deixam espaço pra gente fazer. Eles gostam de apreciar", afirma.

O Congo Nossa Senhora do Rosário apresenta-se durante do VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. A feminilidade das congueiras se une à fé e devoção à santa padroeira dos escravos.

A padroeira dos negros

Contam os antigos que uma imagem de Nossa Senhora do Rosário teria aparecido em uma gruta de Minas Gerais, localizada em uma pedreira. Alguns homens brancos recolheram a imagem e a levaram para a igreja, mas ela misteriosamente voltou sozinha para a pedra. Um padre também tentou levá-la, carregando-a em uma procissão da gruta até a igreja, porém mais uma vez ela voltou. Negros escravos que dançavam o congado foram até a gruta, cantaram e dançaram para ela, que os acompanhou até a igreja e nunca mais voltou para a pedreira. Por esse motivo os congadeiros a consideram a padroeira dos negros

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